Fórum mostra oportunidades de modelos de negócio para o biogás e biometano
- 24 de março de 2021 às 13:15
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Espaço Biogás de Negócios permitirá conhecer os estandes virtuais de empresas, promover reuniões e propor parcerias durante o 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano
A cadeia do biogás tem apresentado um cenário bastante promissor para os negócios. Individuais ou coletivos, os projetos para o setor precisam levar em consideração aspectos técnicos e a definição do modelo de negócio está relacionada com a forma de fornecimento do substrato, a logística e a aplicação energética. No 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, que será realizado de 29 de março a 01 de abril, a prospecção de negócios, tanto para a indústria como para os produtores de biogás, será oportunizada no Espaço Biogás de Negócios.
O evento, que irá ocorrer no formato online, na plataforma EventMobi, permitirá aos participantes conhecer os estandes virtuais de empresas, promover reuniões e propor parcerias. Dados que desenham o panorama nacional revelam o grande potencial de produção de biogás que o Brasil possui, além de projetos implantados nos últimos anos. “Contudo, ainda temos um grande oceano azul de oportunidades a ser explorado no setor do biogás brasileiro”, observa o engenheiro eletricista Thiago Olinda Paraguassu Sant’ana, coordenador de Desenvolvimento de Negócios do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás).
Considerando os setores sucroenergético, agroindustrial e de saneamento, o Brasil tem um potencial de produção de biogás de 84,6 bilhões de Nm³/ano, conforme estudo de 2018 da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás). Números indicados no Biogasmap do CIBiogás em 2020, registram que nas 548 plantas de biogás existentes no país, são produzidos apenas 2,5% do potencial nacional de produção de biogás.
Oportunidades
A coordenadora do Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, pesquisadora Suelen Paesi, da Universidade de Caxias do Sul, prevê oportunidades de negócio em um cenário que se apresenta favorável, seja para a indústria ou para o segmento de serviços. “A energia renovável é o futuro para a geração de resíduo. Além de resolver o problema do resíduo, produz energia limpa e inclui na matriz energética novas alternativas, que não dependem das hidrelétricas e combustíveis fósseis. Isso nos permite presumir que a fabricação de equipamentos e a oferta de serviços, como os de diagnósticos em laboratórios e manutenção de sistemas, por exemplo, serão oportunos como negócio para o setor”, acredita.
Para Sant’ana, independente dos modelos adotados, o biogás sempre persegue a sua maior vocação, que é transformar passivos ambientais em ativos energéticos. Conforme a oferta de biomassa, os projetos destinados à conversão dessa energia renovável, gerada a partir de resíduos orgânicos, em energia elétrica, térmica e biometano como combustível veicular, podem surgir de forma individual ou coletiva.
“Um exemplo de projeto individual é uma unidade de abate de suínos, que possui uma diversidade de efluentes e resíduos internos ao processo. Possuem demandas de energia elétrica, calor, frio e combustível para transporte. A unidade pode produzir e consumir o biogás ou biometano internamente, sem a necessidade do envolvimento de terceiros em seu arranjo tecnológico”, explica o engenheiro do CIBiogás.
Já os arranjos coletivos envolvem mais de um fornecedor de substrato, podendo ser divididos em centrais de bioenergia ou condomínios de agroenergia. No primeiro, os dejetos são coletados e integrados numa unidade com sistema de biodigestão e geração de energia centralizados. Já no modelo de condomínios de agroenergia, o biogás é produzido nas propriedades e transportado por rede de gás para uma unidade central para geração de energia elétrica.
Uma das vantagens dos projetos desenvolvidos em cadeia, na opinião de Suelen, é que independem do tamanho do volume de resíduo gerado individualmente. “No projeto construído em rede, há o benefício da soma. Um pequeno produtor pode gerar biogás se unindo a outro. Outra possibilidade, salienta ela, é a da mistura de susbtratos, que podem ser de diferentes origens, como agroindustrial, silvopastoris e de saneamento”, observa. Cases de experiências já em execução e modelos estabelecidos fazem parte da programação e serão apresentados durante os quatro dias do Fórum.
Estandes virtuais
Na edição online do Fórum, o Espaço de Negócios contará com estandes virtuais para expositores, que apresentarão suas empresas, suas produções de equipamentos e insumos para geração de energia, em vídeo e fotos. Por meio de chat, poderão conversar com os participantes. Estarão nesse ambiente empresas nacionais e internacionais.

Presente nos eventos anteriores, a CHP Brasil tem boas expectativas para a 3ª edição. “Participar do Fórum é enriquecedor, pois a troca de experiências e dissipação de conhecimento contribuem para melhorias do nosso mercado de biogás e cada vez mais para profissionalização do setor. Participamos algumas vezes e acreditamos que compartilhar conhecimento só traz benefício para o mercado”, destaca Fábio França, diretor executivo da CHP Brasil.
O 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano tem mil participantes e as inscrições já foram preenchidas. O evento online tem palestras, debates, networking, espaço de negócios e visita virtual a estantes e plantas de biogás.
Veja aqui a programação completa
O Fórum é realizado pelo CIBiogás, Embrapa e Universidade de Caxias do Sul, e tem organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA).
Foto: Em sistemas de biodigestão, a agropecuária é uma das principais fontes de substrato de biogás no Brasil
Crédito da imagem: Alexandre Marchetti