Painel trata sobre panorama e potenciais do biogás em território brasileiro
- 30 de março de 2021 às 22:58
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No painel de abertura do segundo dia do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, nesta terça-feira (30/03), convidados debateram sobre o tema Panorama do Biogás no Brasil. Rafael González, diretor-presidente do CIBiogás, foi o responsável pela mediação do painel.
Planejamento Nacional Energético
Renato Dutra, coordenador geral de biodiesel do Ministério de Minas e Energia (MME), apresentou o Planejamento Nacional Energético (PNE) a partir de diretrizes e visões de longo, médio e curto prazo. “O setor de energia tem duas características muito importantes: a primeira é que ele envolve, em grande parte, empreendimentos de longo prazo e também é um setor que tem o papel estratégico para o desenvolvimento nacional”, explica Dutra.
O representante do MME destaca que o longo prazo é representado especialmente pelo PNE 2050, com diretrizes estratégicas e visão de 30 anos. Já o médio prazo segue um plano de realização de uma década, a partir do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2030), visando oportunidades e programas de ação. Em uma visão de curto prazo, para realização em menos de 10 anos, o foco é na execução de ações para implementar os planos a partir do desenvolvimento de políticas públicas.
Renato Dutra lembra que a história do biogás no Planejamento Energético é recente, mencionado pela primeira vez em 2017. E resume: “embora seja recente no planejamento, o biogás traz um horizonte de oportunidades. O recado principal é que, junto ao setor privado, o governo vai desempenhar o desenvolvimento de políticas públicas e de apoio junto a empresas de financiamento para que esses planos se realizem no Brasil”.
Desenvolvimento do biogás na região Sul do Brasil
O GEF Biogás Brasil é justamente um exemplo de integração entre o setor privado e o governo. Liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), o projeto foi apresentado pelo consultor da UNIDO Bruno Casagranda. “O objetivo é olhar para os desafios de desenvolvimento das aplicações de biogás em diferentes cadeias de valor em território nacional”, relata.
Casagranda aponta que as aplicações do biogás são muito diversas e têm o potencial conhecido. Porém, segundo o consultor, “a questão é conseguir desenvolver os modelos de negócios onde essas aplicações são viáveis, são competitivas, e também são garantidos todos os fatores ambientais e institucionais necessários para que essa cadeia se desenvolva de forma orgânica, e traga benefícios diretos e resultados estratégicos”.
O consultor da UNIDO apresentou ações paralelas e integradas oferecidas pelo projeto GEF Biogás Brasil para atender desafios do setor, que, conforme ele, demandam uma série de serviços especializados, parâmetros e financiamento. O projeto gera modelos de negócios, assim como capacitação, e Bruno Casagranda dá expectativas: “este ano lançaremos a maior ação de capacitação técnica que o Brasil já teve, online e gratuita”.
As principais ações vigentes são o Edital de Seleção de Plantas de Biogás e o Programa de Tropicalização, focadas em propiciar parcerias. O edital fará uma seleção de até quatro plantas de biogás que se tornarão unidades de demonstração, modelos de referência. “O projeto consegue suprir até R$ 800 mil por proposta em investimento incremental, ou seja, naquilo que cada proposta quer trazer de melhorias na planta”, detalha Bruno Casagranda. Já para o Programa Tropicalização, o foco é encarar desafios indicados pelo mercado brasileiro para criar parcerias entre empresas nacionais e internacionais. As inscrições para participar dessas ações do programa GEF Biogás Brasil estão abertas.
Desenvolvimento, equidade de gênero e inclusão social
Para falar de desenvolvimento no setor de aproveitamento energético de resíduos, Clarissa Vargas, diretora do Fundo de Prosperidade do Reino Unido no Brasil (BEP) fala de gênero, estudo de dados e análises e sobre o potencial do Brasil.
“O Brasil e o Reino Unido já são líderes globais na transição energética, inclusive são parceiros nas Nações Unidas como campeões para transição energética no próximo Diálogo de Alto Nível sobre Energia. Então, nós temos muito a trabalhar em conjunto para a promoção dessa agenda no nível global”, observa Clarissa, que aponta o BEP como um dos instrumentos de cooperação do Reino Unido e do Brasil na promoção de transição energética e de crescimento econômico inclusivo e sustentável.
“Outra parte primordial do programa é de gênero e inclusão social, então todas as nossas atividades e qualquer produto produzido pelo Programa de Energia para o Brasil levar em consideração esses indicadores de gênero e de inclusão social”, reforça.
A diretora do BEP traz um questionamento norteador, apontado como o principal princípio do trabalho do programa com biogás: “quais são as tecnologias e modelos de negócio de biogás que vão gerar mais empregos, reduzir mais emissões e apoiar mais a transição energética do Brasil no curto prazo”? Clarissa esclarece, também, que o programa tem foco em atividades de valor estratégico para maximizar as oportunidades de expansão do setor.
Clarissa indicou dados de como o biogás pode contribuir, a curto e longo prazo, a partir de atividades da agropecuária, indústria e saneamento, com uma estimativa de 16,5 bilhões de Nm³/ano de biogás. “E o impacto disso nas emissões de gases de efeito estufa tem um potencial de mitigação muito expressivo que equivale a 22% das emissões nacionais de gases de efeito estufa do setor de energia em 2016”, afirma.
Panorama do biogás no Brasil
Alessandro Gardemann, presidente da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) fala sobre o que o biogás pode alcançar em território nacional. Para ele, “o biogás é a descrição de economia circular, com aproveitamento energético, devolvendo nutrientes para o solo, ajudando a descarbonizar a cadeia de produção”.
“Podemos sonhar com uma cidade em que os resíduos dela abasteçam a frota de ônibus e transporte público ou uma fazenda em que os dejetos são usados para abastecer o trator, uma usina de cana que use o dejeto para transportar cana”, sugere. O presidente da ABiogás apresenta ainda os atributos e benefícios do biogás, como a redução de gases de efeito estufa, ser uma fonte armazenável, flexível, renovável, com geração descentralizada, com interiorização do metano e produção de biofertilizante.
Gardemann lembra, também, que o potencial da produção de biogás do Brasil, de acordo com dados da ABiogás, podem suprir até 70% do uso de diesel no país, “com redução de custo, redução de risco, sem correção por dólar”. Para energia elétrica, segundo o levantamento da associação, o potencial ultrapassa 30%.
Por fim, o representante da ABiogás reforça a necessidade de garantir qualidade e disponibilidade para alcançar a remuneração merecida e pretendida para o biogás. “Para isso, a gente precisa investir nas plantas, fazer um planejamento eficiente, acompanhar a eficiência da matéria orgânica e tentar reduzir o tempo de retenção hidráulica.”