Salas de Discussão – Terça-feira | 30.03.2021
- 30 de março de 2021 às 22:51
- Notícias

SALA DE DISCUSSÃO 1 – 30 de março de 2021
Desafios ao desenvolvimento do setor de biogás é tema debatido entre participantes e mediadores do Fórum
Em uma conversa mediada por Bruno Neves, consultor da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), e Felipe Marques, diretor de desenvolvimento tecnológico Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), participantes do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debateram sobre barreiras e desafios ao desenvolvimento do setor do biogás na região Sul do país na Sala de Discussão 1.
Felipe Marques acredita que o momento para o setor é positivo, com atmosfera entre players que pode facilitar na resolução desses impasses vigentes. “A gente não compete entre nós, a gente compete para ser maior junto”, afirma.
Onde encontrar informações e capacitação?
Para o participante Carlos Soares, de Goiás, um dos maiores problemas enfrentados é encontrar informações sobre o biogás. “Comecei a estudar o tema pensando em descarbonização e em rentabilizar a leiteira. Para tornar isso eficiente, faltam muitos dados da viabilidade econômica”, explica. Carlos aponta ainda que o ideal, para ele, seria que os caminhões de leite da propriedade rural pudessem ser abastecidos nas fazendas, além de otimizar a utilização de tratores e outras máquinas para que sejam movidas a biometano.
O participante foi respondido pelo mediador Felipe Marques e por Airton Kunz, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) especializado em suínos e aves. Sobre onde acessar informações de qualidade para entender problemas e auxiliar a tomada de decisões tecnológicas, o representante da CIBiogás sugere cursos da Embrapa, disponíveis na plataforma da empresa, e o curso ainda não lançado do projeto GEF Biogás Brasil, liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações e implementado pela UNIDO, que será voltado para capacitação em biogás e biometano, detalhando sobre escolha de substrato, segurança, rota tecnológica e outros importantes pontos na implementação.
“O confinamento que você possui pode ser muito maior do que a gente tem no Sul do brasil. É interessante que o biogás, assim como tem uma diversidade de substratos, também tem uma diversidade de arranjos para ser produzido. Por isso, é interessante pesquisar experiências parecidas com a sua”, aconselha Marques.
Kunz reforça que os problemas podem ser multifacetários. “Não é um desafio único e a gente precisa avançar. Temos avançado, no Brasil, de forma muito positiva nos últimos anos, e não só no Sul. Quanto à bovinocultura de leite, a primeira coisa que devemos pensar é em como diminuir o volume de água dentro dos resíduos”, aponta, lembrando que a bovinocultura voltada para produção de leite tem como característica possibilidades de retenção hidráulica. E sugere, ainda: “é recomendado começar de trás pra frente, se perguntando onde vai utilizar esse biogás, como vai rentabilizar, e a partir daí você vai montando seu arranjo de processo de produção. No caso da bovinocultura, é bem interessante esse combinado entre a bovinocultura e uso de biofertilizante em pastagem, por exemplo”.
Financiamento de projetos
Outro ponto trazido à conversa, desta vez pela participante Clarissa Congo, é a questão de financiamento dos projetos, o acesso ao crédito. “Eu não sei se nós estamos com essa capacitação para responder, porque nós, os técnicos das agências, também temos dificuldades para aprovar ou não o crédito. Não pode ser um processo de financiamento igual a de um trator, por exemplo, não pode ser banalizado”.
Bruno Neves lembra que há uma plataforma já disponível online e gratuita que permite que produtores, empresários, agentes financiadores e gestores públicos realizem uma análise customizada sobre a viabilidade de novos projetos de biogás, o BiogásInvest. A ferramenta disponibiliza estimativas de potencial e retorno financeiro, previsões automatizadas, análises de custo e avaliação econômica. “É uma ferramenta voltada para negócios de biogás e pretende atender todos os elos da cadeia de valor”, afirma Neves. Felipe Marques também sugere a utilização de um formulário padrão voltado para esse tipo de financiamento especificamente, que pode ajudar a organizar as demandas de clientes que desejam trabalhar com o biogás.
Purificação do biogás
O participante Murilo Alcântara questionou no painel sobre as questões enfrentadas no processo de purificação do biogás. Felipe Marques salienta que a redução de sulfeto de hidrogênio (H2S) pode ser um desafio.
Jan Poul Sorensen, outro participante do fórum, lembra que as tecnologias estão crescendo para remover teores de sulfeto de hidrogênio das composições. “Para vazões maiores, têm cargas altas de sulfato no gás para remover o H2S”, esclarece.
Envolvimento do setor público
Para Sorensen, também é importante realizar um trabalho para conscientizar entidades do governo em nível federal “para alcançarmos ambição, treinamento e incentivos”.
“Eu entendo que seria possível criar uma câmara voltada para o biogás. Temos muitas oportunidades, o biogás não é precificado em dólar, podemos dar foco aos benefícios que traz para o produtor. Mesmo quando é implementada por um pequeno produtor, em uma pequena propriedade rural, o impacto é muito grande. E isso não está sendo quantificado”, reflete o participante Ramon Orlando Villarreal, engenheiro açucareiro com experiência no setor de bioenergia.
Como contribuir para o levantamento de informações?
Leidiane Mariani, consultora do Programa de Energia para o Brasil (BEP), lembra que o projeto possui questionários voltados justamente para o levantamento de insumos. “Somos um setor ainda em amadurecimento, não somos um setor ainda forte em quantidade de informação para dar insumo para o governo incluir no planejamento energético”, observa.
O BEP possui um questionário ativo sobre as barreiras enfrentadas pelo setor do biogás, que pode ser respondido aqui. “Vamos gerar informação organizada para, aí sim, levar para o governo”, explica Leidiane.
SALA DE DISCUSSÃO 2 – 30 de março de 2021

Proprietários de plantas de biogás são convocados a participar de seleção para apoio financeiro de projetos
O edital de seleção de plantas de biogás é oferecido pelo Projeto GEF Biogás Brasil, que é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), e conta com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) como principal entidade executora.
Podem participar do edital de seleção pessoas físicas ou jurídicas detentoras de plantas de biogás localizadas na Região Sul do Brasil, voltadas para o uso de resíduos orgânicos da agroindústria. Propostas podem ser encaminhadas à UNIDO até 30 de abril de 2021.
Integrantes do Projeto GEF Biogás Brasil apresentaram nesta terça-feira (30/03), durante a Sala de Discussão 2 do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, um novo edital de seleção de plantas de biogás.
O edital é oferecido pelo Projeto GEF Biogás Brasil, que é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), e conta com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) como principal entidade executora.
As plantas de biogás selecionadas pelo edital vão receber investimento incremental para a compra de equipamentos ou serviços que garantam mais eficiência e segurança para seus empreendimentos.
Podem participar da seleção pessoas físicas ou jurídicas detentoras de plantas de biogás, de forma individual ou por meio de consórcios e associações. As plantas devem ser localizadas na Região Sul do Brasil e voltadas para o uso de resíduos orgânicos agroindustriais.
“No mínimo quatro plantas de biogás serão selecionadas, atendendo a quatro linhas temáticas apresentadas pelo edital, que são voltadas para as aplicações do biogás e de seus produtos derivados”, conta a especialista em tecnologias do biogás e consultora da UNIDO em parceria com o CIBiogás, Natali Nunes.
“Além de receber investimento incremental e apoio especializado do Projeto GEF Biogás Brasil, as plantas de biogás selecionadas vão ser vinculadas ao Projeto como unidades de demonstração (UDs)”, reforça a coordenadora de engenharia e transferência de conhecimento do CIBiogás e consultora da UNIDO, Daiana Martinez. As UDs são plantas de biogás com projetos inovadores de alta replicabilidade.
“O objetivo do Projeto GEF Biogás Brasil é consolidar a cadeia do biogás em todo o país. Por isso, temos o intuito de tornar as plantas de biogás selecionadas pelo edital como ‘vitrines’, exemplos para replicação, performance, robustez e segurança. O objetivo de investirmos nesses projetos de forma incremental é auxiliar plantas de biogás para que sejam exemplos de boas práticas e eficiência”, reforça Natali Nunes.
Interessados em participar do edital de seleção de plantas de biogás podem encaminhar propostas à UNIDO até dia 30 de abril de 2021.
Para participar, saiba os detalhes da seleção em www.gefbiogas.org.br/uds
SALA DE DISCUSSÃO 3 – 30 de março de 2021

Especialistas discutem o resultado financeiro de plantas de biogás
Tema foi debatido durante a Sala de Discussão 3 do Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. Renovação das regras de mercado indica melhora das condições de rentabilidade de projetos de biogás no Brasil. Uso do digestato é citado como um dos desafios do setor no país
A ampliação do resultado financeiro de plantas de biogás no Brasil foi o tema principal da Sala de Discussão 3 do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano nesta terça-feira (30/03).
A Sala contou com mais de quarenta participantes, e foi moderada pelo especialista em mercado de biogás e consultor da UNIDO em parceria com o CIBiogás, Nicolas Berhorst, em conjunto com o coordenador de desenvolvimento de negócios do CIBiogás, Thiago Olinda.
Nicolas Berhorst se mostrou otimista em relação às possibilidades de retorno financeiro do biogás, considerando as atualizações recentes de algumas políticas voltadas para o setor: “A Nova Lei do Gás é uma evolução do setor e está para ser sancionada, depois de passar por vários ajustes. Isso vai melhorar o cenário do biogás no país. O biometano, por exemplo, tem grande potencial de crescimento porque a renovação das regras de mercado permite uma ampliação nesse sentido”.
O engenheiro agrônomo do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Pedro Guedes, participou da discussão falando sobre sua experiência com projetos de investimentos agropecuários em Santa Catarina. Ele explicou que a sustentabilidade financeira da atividade principal ligada à geração de energia por meio de biogás é essencial para o sucesso de um projeto.
“Muitas vezes nos atemos à viabilidade da operação de crédito em projetos, o que depende da receita vinculada à atividade principal. No caso da viabilidade de um projeto de biogás ligado à suinocultura, por exemplo, a atividade principal pode tornar o projeto inviável se não for sustentável economicamente”, reforçou Guedes.
A engenheira ambiental Sônia Cunha Fagundes ressaltou o aspecto circular da rentabilidade de projetos de biogás, mas indicou que empreendimentos neste setor ainda apresentam alguns desafios importantes: “Plantas de biogás têm um potencial incrível para economia circular, e vejo que a destinação e a aplicação do biofertilizante ainda é um desafio na maioria dos casos”.
O produtor Gilmar Marcelo de Paula, que trabalha com cama de frango e outros substratos, apresentou à Sala de Discussão sua experiência pessoal com o tema.
“Trabalhamos em cima do conceito de economia circular, produzindo proteína de aves e gerando biogás. Ainda não temos enriquecimento suficiente para transformar o biogás em biometano para combustível veicular, mas já usamos as aplicações elétrica e térmica”, conta o produtor. “O digestato pode ser utilizado como um biofertilizante muito bom, mas tem muito volume, muita água. Se conseguirmos concentrar os nutrientes do digestato, com menos água, esse seria o nosso ‘pulo do gato’. Já usei esse biofertilizante para a fertilização de mudas, e tivemos resultados muito bons”.
SALA DE DISCUSSÃO 4 – 30 de março de 2021

Projetos de biogás para a pecuária são debatidos em Sala de Discussão do Fórum
Especialistas, produtores, empreendedores e pesquisadores do setor de biogás discutiram sobre a viabilidade de diferentes tecnologias para a produção de biogás a partir dos resíduos orgânicos da pecuária no Brasil.
A Sala de Discussão 4 do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano reuniu, nesta terça-feira (30/03), diversos atores do setor de biogás em torno das possibilidades de produção dessa fonte de energia renovável por meio dos resíduos orgânicos da atividade pecuária no Brasil.
A Sala foi moderada pela líder em aproveitamento energético de resíduos do Instituto 17 – Brazil Energy Programme, Leidiane Ferronato Mariani, e pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Airton Kunz.
A discussão teve início em torno da viabilidade de projetos de biogás de pequena e média escala utilizando resíduos orgânicos da pecuária, e evoluiu para um debate sobre as diferentes tecnologias usadas no Brasil e no mundo para a produção de biogás a partir desses resíduos.
“Avaliar se um projeto de biogás é viável depende do uso do biogás, da tecnologia escolhida, e do retorno financeiro”, ponderou Leidiane Mariani.
Em acordo com Mariane, Airton Kunz reforçou que “o ponto de partida de um projeto deve ser o quanto de biogás se pretende produzir, qual utilidade poderemos dar, e quais tecnologias podemos escolher”.
O pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Marcio Andrade participou da discussão comentando que a ampliação da produção de biogás a partir da pecuária passa pela superação dos limites da tecnologia mais utilizada no Brasil para a produção de biogás: biodigestores com piscinas de lagoa coberta.
“Esses biodigestores têm dificuldades. Em um ou dois anos podem ficar assoreados, com depósitos de zonas mortas. Ou seja, a produção de biogás pode começar a baixar. Por outro lado, é uma tecnologia muito barata”, avalia Andrade.
Em seguida, o pesquisador da UFSC faz uma comparação com tecnologias usadas em outras partes do mundo: “O modelo alemão, vertical sobre o solo, permite que você use um sistema de aquecimento e agitação, com um biodigestor muito melhor. Esse reator comporta muito mais resíduos, e você pode usar uma codigestão, com diversos outros substratos que podem ser agregados”.
Airton Kunz concorda que toda tecnologia tem vantagens e desafios. “É necessário entender os limites do modelo utilizado. O assoreamento em biodigestores de lagoa coberta muitas vezes está associado a um uso que não é adequado aos limites dessa tecnologia. De nada adianta construir de maneira correta e operar de maneira equivocada”, diz Kunz.
O engenheiro eletricista e sócio fundador da empresa Awite Sistemas de Análise de Gases, Christian Etzkorn, chamou a atenção para os desafios do biogás em comparação à energia solar para pequenos empreendimentos.
“A energia solar é fácil, porque você coloca a placa em casa e pronto. No caso do biogás é um pouco diferente, porque uma granja com apenas cinco vacas não vai conseguir implementar um projeto viável de geração de energia elétrica por meio do biogás. A melhor oportunidade do biogás para empreendimentos menores é abrindo iniciativas de colaboração para famílias que querem investir em projetos de energias renováveis de escala maior. É uma possibilidade para trazer o biogás para mais pessoas”, afirma Etzkorn.
Marcio Andrade comenta também da importância de projetos de intercâmbio de tecnologia para trazer inovação ao setor no Brasil: “O processo de ‘tropicalização’, ou seja, trazer projetos de biodigestores da Europa ao Brasil, é importante para verificarmos quais tipos de resíduos podemos tratar, e também porque é importante propomos novas tecnologias que caibam no bolso do nosso produtor.”