29 de março a 01 de abril de 2021

Salas de Discussão – Quarta-feira | 31.03.2021

Salas de Discussão – Quarta-feira | 31.03.2021

SALA DE DISCUSSÃO 5 – 31 de março de 2021

Empresas são convocadas a estabelecer parcerias internacionais no setor de biogás

O desenvolvimento do setor de biogás no Brasil por meio do intercâmbio internacional de conhecimento foi o tema central da Sala de Discussão 5 no Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, que ocorreu nesta quarta-feira (31/03).

O debate foi moderado pela especialista do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) Renata Abreu, e pelos consultores da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) em parceria com o CIBiogás, Nicolas Berhorst e Ricardo Müller. Berhorst e Müller trabalham no projeto GEF Biogás Brasil, que é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pela UNIDO, e conta com o CIBiogás como principal entidade executora.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Airtor Kunz participou da discussão comentando sobre oportunidades e desafios de cooperações internacionais no setor de biogás. “O Brasil é diferente da Europa e da América do Norte. Precisamos olhar as realidades e experiências de outros países para diferentes escalas de produção de biogás”, explica o pesquisador. Entre as oportunidades interessantes de desenvolvimento do mercado de biogás no Brasil, Kunz cita a codigestão: “É uma prática muito interessante. É algo no qual a Embrapa tem investido muito, assim como o CIBiogás e universidades. Para se fazer codigestão, é necessário desenvolver inteligência de território, precisamos entender quais substratos temos naquele território específico”.

Respondendo a dúvidas que surgiram durante o debate relacionadas à viabilidade de projetos de biogás em diferentes escalas, o economista Nicolas Berhorst mencionou a ferramenta digital BiogásInvest, desenvolvida pelo projeto GEF Biogás Brasil. A ferramenta permite avaliações automatizadas sobre a viabilidade econômica de projetos de produção de biogás com diferentes substratos, tecnologias, e previsões de custo, lucratividade e financiamento.

O especialista em gestão de projetos e consultor da UNIDO pelo projeto GEF Biogás Brasil, Bruno Casagranda Neves, ressalta que o sucesso de projetos depende de assistência técnica, informação qualificada, e equipamentos e serviços bem estabelecidos. “Cada projeto precisa adequar seus números às informações de mercado”, diz Casagranda Neves. “Empresas âncora, por exemplo, conseguem mobilizar recursos e informações para dimensionar um portfólio de produção de biogás. A partir disso, é possível acessar opções de financiamento, acionando fornecedores em escala nacional e internacional para serviços, tecnologia e recursos”.

A professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Suelen Paesi, salienta que a transferência internacional de conhecimento não é um processo de importação imediata, pois requer adaptações a realidades diferentes: “É importante a gente usar as experiências de outros países como inspiração. Não significa que vamos conseguir aplicar exatamente as mesmas tecnologias de outros lugares no Brasil, porque nossos resíduos, meios de produção e interesses são diferentes. Temos que acompanhar as produções científicas para vermos o que podemos aplicar na nossa realidade. O Brasil é um país muito criativo, com uma rede industrial que pode dar apoio a essas iniciativas, além de dimensões continentais”.

O especialista em biogás Ricardo Müller destacou que o intercâmbio de conhecimento é um processo contínuo. “Assim como houve a tropicalização de tecnologias de reatores, por exemplo, temos agora novas oportunidades para a transferência de conhecimento sobre outras tecnologias, como o Programa de Tropicalização”.

SALA DE DISCUSSÃO 6 – 31 de março de 2021

Representantes do Brasil e Reino Unido debatem sobre oportunidades e parcerias entre os países no setor do biogás

Nesta quarta-feira (31/03), participantes do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debateram sobre as oportunidades de cooperação entre o Brasil e o Reino Unido no setor do biogás. Na Sala de Discussão 6, Thomas Cromie, consultor do Programa de Energia para o Brasil (Brazil Energy Programme, em inglês, ou BEP) e o diretor de desenvolvimento Tecnológico do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e consultor da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Felipe Marques, foram moderadores do debate.

Dentro do tema, o principal foco foi em torno de experiências que podem ser compartilhadas entre os países para o objetivo comum de redução de emissões. O Programa de Energia para o Brasil fornece financiamento do Reino Unido e a experiência britânica para apoiar o desenvolvimento do Brasil na geração de energia renovável.

“Algo importante a se atentar é que exista um modelo de negócio que se encaixe na realidade do local. Porque, se você tentar simplesmente copiar um modelo de negócio que está funcionando na Índia, nos Estados Unidos, na China, na França, se não se encaixar na sua realidade, você pode ter um grande problema”, comenta Marques. Segundo ele, o melhor local para realizar benchmarking é dentro da própria realidade e território. Entender o substrato disponível e a regulamentação na região, para o representante do CIBiogás e da UNIDO, é essencial.

Thomas Cromie aponta que a tecnologia não é o único ponto de importância para a implementação de projetos e parcerias de biogás. “Primeiro, encontre os termos mais adequados para sua aplicação, mas tenha o projeto estruturado corretamente. Do meu ponto de vista, não é apenas o aspecto da tecnologia, mas também sobre as parcerias perdurarem a longo prazo”, explica.

Oportunidades
Felipe lembra que há aplicações de novas tecnologias vigentes no Reino Unido no setor, mas que, no Brasil, ainda não se possui experiência com algumas delas. “É uma boa oportunidade para começarmos parcerias e projetos entre brasileiros e britânicos nesse sentido”, opina.

O projeto GEF Biogás Brasil, liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e implementado pela UNIDO, disponibiliza um programa de oportunidades de parceria entre empresas brasileiras e estrangeiras, o Programa de Tropicalização, com inscrições abertas até outubro deste ano.

Para conhecer mais sobre o Programa de Energia para o Brasil, acesse o site do programa.

SALA DE DISCUSSÃO 7 – 31 de março de 2021

Participantes debatem papel do biometano na diversificação da matriz energética da Região Sul

“O biometano pode ser chave na diversificação da matriz energética do interior dos estados do Sul do Brasil?” Essa foi a pergunta central da Sala de Discussão 7, que aconteceu no final da tarde de quarta-feira (31/03), no terceiro dia de Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano.

O debate foi moderado pelo coordenador do laboratório de estudos em biogás da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Suínos e Aves), Ricardo Steinmetz; pela líder em aproveitamento energético de resíduos do Instituto 17 pelo Programa de Energia para o Brasil (BEP), Leidiane Ferronato Mariani; e pelo consultor da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) em parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) pelo projeto GEF Biogás Brasil, Nicolas Berhorst.

O biometano – combustível renovável produzido a partir do biogás – foi retratado pelos participantes da discussão como uma das aplicações mais promissoras do mercado brasileiro de biogás, com grande potencial de expansão e inovação.

O economista Nicolas Berhorst (CIBiogás/UNIDO – GEF Biogás Brasil) comentou diferentes possibilidades de utilização do biogás no mercado: “Pensando em diversificação da matriz, existe a possibilidade de utilização de dióxido de carbono, que no setor agro tem grande papel. Também a geração de soda cáustica, a produção de bebidas, de estufas, e a sensibilização em abate de animais. Em tecnologias promissoras, também tem papel importante na produção de hidrogênio, por exemplo”.

O diretor internacional do Grupo IGÁS, Hernán Zwall, participou do debate reforçando alguns pontos principais da apresentação dele no Painel 5 do Fórum sobre gasodutos virtuais, que facilitam o transporte de biometano. Segundo Zwall, o mecanismo é importante para o transporte até localidades afastadas: “O gasoduto virtual ajuda na interiorização do biometano e do gás natural”.

O pesquisador e agente de inovação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Raoni Oliveira de Souza, trouxe para o debate o tema da produção de biometano com microalgas: “A microalga absorve o CO2. Temos tecnologias já aplicadas no mercado com esse mecanismo, ou ainda estamos no campo da pesquisa? A microalga pertence à nova geração de combustíveis, deve entrar na cadeia produtiva do biogás”, questionou o pesquisador.

“O grande desafio da microalga é o controle de processo e o escalonamento”, ponderou Ricardo Steinmetz (Embrapa Suínos e Aves). “Portanto, a aplicação dessa tecnologia na limpeza do gás, principalmente para remoção de CO2 – mas você consegue também melhorar a purificação do H2S, dependendo de como for a cultura – tem um potencial muito grande. Também é uma tecnologia que produz biomassa que pode ciclar no processo e servir como fonte energética para a produção de biogás. Mas ainda é um processo difícil, que precisa de alguns anos para amadurecer para o mercado”.

Outros temas relacionado à produção de biometano foram debatidos na Sala, como o embasamento de gás, o escalamento de projetos e o custo-benefício da aplicação de membranas para purificação de biogás.

SALA DE DISCUSSÃO 8 – 31 de março de 2021

Tratamento de esgoto urbano e efluentes industriais para produção de biogás

Diversos participantes do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano acessaram a Sala de Discussão 8, que ocorreu no início da noite de quarta-feira (31/03), para debater sobre os caminhos possíveis para estimular que a eficiência energética do biogás seja mais aproveitada em estações de tratamento de esgoto urbano e efluentes industriais.

Moderaram a Sala de Discussão os seguintes participantes: a professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Suelen Paesi, a líder em aproveitamento energético de resíduos do Instituto 17 pelo Programa de Energia para o Brasil (BEP), Leidiane Ferronato Mariani, e o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Airton Kunz.

Kunz ressaltou que os melhores modelos de negócio são aqueles que aproveitam seus recursos de forma mais eficiente: “Às vezes, a energia térmica é realmente desperdiçada em alguns projetos, e aí perde-se dinheiro. No cenário atual, estamos saindo de um modelo em que se gerava biogás e se queimava para o aproveitamento energético. Precisamos aproveitar o calor que é desperdiçado, porque é dinheiro que estamos desperdiçando”.

O gerente para a América Latina da empresa AB Energy, Giovanni Toscanni, contribui com a discussão com um modelo de aproveitamento eficiente. “No Sul do Brasil, com clima mais temperado, a gente precisa manter o biodigestor aquecido, então podemos usar a parte térmica do motor para aproveitar esse calor”, explica. “Também podemos usar o vapor do motor, e até mesmo a fumaça de escape do motor, para o aproveitamento em outros processos industriais – para secar o lixo, por exemplo. Existem tecnologias para multiplicar o aproveitamento energético, mas o gargalo está no custo tecnológico. As companhias que hoje atuam no Brasil estão apavoradas com os custos”, disse o gerente.

A líder em aproveitamento energético de resíduos do Instituto 17 pelo BEP, Leidiane Ferronato Mariani, relembrou um aspecto importante do cenário brasileiro de tratamento de resíduos urbanos: “Hoje, a realidade das plantas de biogás no Brasil é o aterro, porque em muitas regiões do país o aterro ainda é um privilégio. Deveríamos começar a ter mais plantas de biogás que recebam o resíduo orgânico, evitando que esse resíduo seja deixado em aterros”.

Toscanni citou outro desafio dos aterros: “Eles têm um chorume que é muito complicado de tratar. Em comparação, quando falamos em coleta seletiva com a seleção do lixo orgânico para o biodigestor, ao final de tudo conseguimos também extrair um material que pode ser reutilizado como fertilizante. Então, é uma linha muito mais limpa. No Rio de Janeiro, há projetos sendo desenvolvidos nesse sentido, com coleta seletiva de lixo orgânico para biodigestores”. Sobre o melhor aproveitamento do biogás na indústria e em estações de tratamento de esgoto, o gerente de pesquisa e inovação da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Gustavo Possetti, disse que a tendência atual do setor é pela busca por sistemas complementares de pós-tratamento para carga orgânica e nutrientes. “Hoje, a questão é escolher o conjunto tecnológico que traz mais sustentabilidade para uma determinada planta. Você não precisa ficar inventando modelos de negócios muito diferentes. A partir do momento em que você atinge uma determinada escala com o saneamento, o negócio já se viabiliza. Temos conhecimento, dinheiro, modelos de negócio e arcabouço regulatório, então temos tudo para avançar e fortalecer a cadeia de valor do biogás. Precisamos não apenas ter estações de tratamento de esgoto, mas sim fábricas que tragam diversos recursos

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