Biogás no saneamento e na indústria é tema de painel no terceiro dia do Fórum
- 01 de abril de 2021 às 00:16
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Na tarde de quarta-feira (31/03), palestrantes do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debateram sobre o uso de biogás nos setores de saneamento e indústria, envolvendo questões de eficiência energética, confiabilidade em plantas de biogás e relação com aterros sanitários. O painel “Biogás no saneamento e na indústria” foi moderado pela pesquisadora da Universidade de Caxias do Sul, Suelen Paesi.
Eficiência Energética e Confiabilidade
Vicente Guedes, engenheiro eletricista da CHP Brasil e representante da área comercial da empresa, conta que as aplicações desenvolvidas pela CHP abrangem geração distribuída com gás natural, com biogás e com combustíveis alternativos. “Para todo gerador que a gente vende, queremos assumir o monitoramento da planta, da usina. Baseado nisso, a gente desenvolveu um sistema de monitoramento remoto”, relata. Além do software de monitoramento, a empresa criou um aplicativo para essa finalidade.
O engenheiro afirma que a finalidade do serviço das plantas de biogás deve ser considerada como um todo. “Em todas as etapas do projeto, consideramos importante ter a participação ativa da empresa.” Guedes diz que a CHP participa ativamente do controle operacional, do tratamento do biogás gerado, além de análises, operações e manutenções da usina.
Em um dos casos atendidos pela empresa, o engenheiro cita que um produtor de suínos que já produzia biogás os procurou porque sua usina não operava de forma satisfatória. “Ele não tinha um sistema de tratamento adequado e estava com apenas 54% de disponibilidade e sabemos que podemos chegar a 90%, até casos de 97%. Além disso, ele possuía um ativo que não estava proporcionando o potencial de receita que poderia”, explica Guedes. Segundo ele, as falhas no projeto acumulavam cerca de R$ 28 mil que o produtor deixava de ganhar por mês, mais de R$ 330 mil por ano.
Inovação
Rael Mairesse é diretor executivo da empresa Luming Inteligência Energética e apresenta um case de biogás com microturbinas de alta performance, projeto realizado para a Ambev. “O cliente vai ter sua indústria de bebidas ou granja de aviário, de suínos, e todas as áreas demandam energia, eventualmente faltam recursos para a parte de tratamento de efluentes ou de resíduos, e essas oportunidades acabam ficando renegadas”, comenta Mairesse. Para abordar esse problema, ele reforça que há dois aspectos importantes: tecnologias de alta performance e modelos de negócios.
Para o projeto, a Luming escolheu tecnologias feitas para operar 24 horas por dia, “são microturbinas de baixa interação”, salienta o diretor executivo. Além disso, o projeto dispõe de automação e inteligência de dados para minimizar interações.
Já o gerente de pesquisa e inovação da Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), Gustavo Possetti, apresentou um estudo de caso no estado. “Nós sempre temos novos desafios e, para nos prepararmos, sobretudo sob uma perspectiva do novo marco regulatório do setor de saneamento, olhamos para a inovação”, destaca.
Desafios e oportunidades
Giovani Toscani, gerente da AB Energy, fala sobre biogás de aterros sanitários e industriais no Brasil sob o ponto de vista de desafios e oportunidades. O representante da empresa observa que o resíduo sólido urbano (RSU) é depositado no aterro, processado biologicamente e pode gerar um volume considerável de biogás.
“Captando biogás, enviando esse sistema de gás até a parte de purificação do gás, é possível gerar energia elétrica e térmica. E os efluentes desses motores têm uma baixa poluição”, afirma Toscani. “Hoje, estimamos que, com cerca de 500 toneladas de RSU, pode-se gerar uma vazão de 800 Nm³/h de biogás, 1.500 kWh, o que poderia alimentar até 6.500 habitações.”