Salas de Discussão – Quinta-feira | 01.04.2021
- 01 de abril de 2021 às 23:20
- Notícias

SALA DE DISCUSSÃO 9 – 1º de abril de 2021
Participantes avaliam tecnologias de aumento da eficiência e viabilidade do biogás
A Sala de Discussão 9 “Tecnologias para aumento da eficiência e viabilidade do biogás” ocorreu na tarde de quinta-feira (01º/04), último dia do Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. A discussão foi conduzida pela gestora da área de operações do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), Juliana Gaio; pelo coordenador de desenvolvimento de negócios do CIBiogás, Thiago Olinda; e pela coordenadora do setor de estruturação de projetos do CIBiogás, Aline Scarpeta.
“Estamos aproveitando o máximo que o substrato pode nos entregar?”, provocou Juliana Gaio (CIBiogás), dando início ao debate. “Esse é o ponto de quem quer se profissionalizar na produção de biogás. Estamos falando em aproveitar de fato a matriz energética e ter competitividade. Nós só vamos fazer isso se medirmos capacidade e potencial, e se prevermos o aumento de produtividade”.
Gaio acredita que as motivações econômicas para que o pequeno produtor invista na melhoria da produtividade de seus sistemas precisam ficar mais claros, principalmente depois que o produtor atinge a autossuficiência. “Não sei se pelo custo envolvido, tenho a impressão de que muita gente acredita que basta instalar um gerador movido a biogás que está tudo certo”.
Segundo o supervisor de unidades de gás da Leão Energia, Fabiano Lovato, a medição detalhada da qualidade do gás é essencial para demonstrar ao pequeno produtor porque o monitoramento da produção é importante: “Quando você passa a testar a qualidade e a quantidade do gás, você passa a mostrar para o produtor que esses dados importam. Vai ser muito mais fácil de achar o problema na planta se ele ocorrer. Precisamos nos colocar no lugar do produtor e mostrar para ele de forma prática o que queremos provar”.
Outro aspecto referente à eficiência de sistemas foi citado por Thiago Olinda (CIBiogás): “O ajuste da regulagem dos equipamentos passa também pela qualidade do gás. Se você tem um gás mais rico em metano, seu projeto no final das contas entrega um volume de energia maior”.
O especialista da Awite Sistemas de Análise de Gases, Christian Etzkorn, mencionou um importante fator de mercado: “Hoje, já estamos além de colocar uma lona sobre a lagoa. Estamos falando de eficiência. Se você quer vender um produto, você tem que determinar a qualidade para saber qual será o preço”.
Outros temas foram discutidos pelos participantes da Sala, como o aproveitamento de carcaças para incrementar a produção de gás.
SALA DE DISCUSSÃO 10 – 1º de abril de 2021

Debate sobre representatividade feminina no setor de biogás
Sob questionamentos como as formas que mulheres podem aumentar a participação em cargos de liderança e quais são as barreiras enfrentadas pelo gênero, participantes discutiram sobre a representatividade feminina no setor de biogás e energia. O debate aconteceu no último dia de transmissões do 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, esta quinta-feira (1º/04), na Sala de Discussão 10.
Os moderadores Leidiane Mariani, líder em aproveitamento energético de resíduos do Programa de Energia para o Brasil (BEP), e Alessandro Pereira, diretor executivo do Instituto 17, lembram que esse debate não deve ser voltado apenas às mulheres.
Ita Porto, assessora da coordenação político-pedagógica da empresa Diaconia, aponta: “essa luta é de todos, inclusive dos homens. Em trabalhos de justiça de gênero, a gente traz os homens para compreenderem o que é ser homem em uma relação justa de gênero”.
Sobre os privilégios do gênero masculino, Alessandro Pereira comenta: “eu tenho que lembrar de me perguntar isso o tempo todo: ‘o que é ser homem em uma relação justa de gênero’, por conta dos meus privilégios e de uma estrutura que me protege muito mais do que a mulher”.
Esforços pela representatividade
No BEP, Leidiane conta que há um grupo formado apenas por mulheres do projeto para discutir o tema. “Assim podemos nos ajudar e construir esse caminho de mais autoconfiança para cada uma alcançar o que espera, sem barreiras.”
“A partir de um esforço, conseguimos ter mais mulheres nos painéis, termos mais representatividade. É uma questão estrutural, não só do biogás, alguns setores têm mais homens do que mulheres”, indica a líder em aproveitamento energético.
Para a professora e pesquisadora da Universidade de Caxias do Sul Suelen Paesi, há muitas mulheres em busca de uma formação rica na área. “Há uma presença feminina maior na pós-graduação, e o que eu percebo nas unidades de trabalho, é que esse número está muito reduzido. Então onde elas ficam? Com uma formação excelente, não estão nos cargos que a gente esperaria”, opina.
Airton Kunz, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que também trabalha com formação profissional, concorda e acrescenta: “eu sempre digo que vocês vão dominar a ciência, porque não há outro caminho”.
Benefícios da liderança feminina
Karina Guedes, do Instituto 17, assinala os benefícios do trabalho realizado por mulheres, lembrando inclusive que, durante a pandemia, países liderados por mulheres apresentaram melhor evolução na saúde e proteção da população. “Pela sensibilidade, pela proximidade com o próximo. Vejo uma preocupação maior com o bem-estar.”
Porém, Karina aponta que o preconceito ainda é uma grande barreira e lembra que ainda existe uma visão de que a mulher é frágil para lidar com alguns trabalhos, como no próprio setor de biogás e energias.
Renata Abreu, do Centro de Energias Renováveis (CIBiogás), salienta as características de criatividade e multidisciplinaridade no trabalho da mulher, algo que, segundo ela, é muito ligado à inovação. “A questão é que não temos só que provar que a gente tem a qualificação técnica, mas a qualificação emocional para lidar com esse ambiente”, afirma.